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#Biodiversidade ameaçada no parque do Turvo

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O Parque Estadual do Turvo foi criado em 1947, sendo o primeiro parque ecológico do Estado, com uma área de 17.491 hectares. Hoje ele é o último reduto da onça-pintada no Estado do Rio Grande do Sul, abrigando também outros animais ameaçados de extinção como o puma, a anta e o cateto. É no parque do Turvo, no rio Uruguai, que está localizado a maior queda longitudinal do mundo, o Salto do Yucumã, com 1.800 metros de extensão. Mas não é com a beleza encantadora da natureza que queremos chamar a atenção para este post, é com o descaso e a falta de investimentos na preservação local. Os ecossistemas do Rio Uruguai encontram-se em um processo acelerado de fragmentação pelo impacto dos empreendimentos hidrelétricos. A bacia do rio Uruguai é um dos mais importantes corredores da biodiversidade do Cone Sul. A bacia do Rio Uruguai vem se tornando um território de diversos conflitos sócio ambientais, onde os interesses econômicos se defrontam com a diversidade biológica da região. Apesar destes conflitos o setor elétrico pretende levar adiante os planos de reaproveitamento da bacia. O tema geração de energia e seus impactos está de frente a um obstáculo: a informação. Pouco se sabe sobre os efeitos que as barragens irão causar a natureza e o clico da vida do rio.

O Grande Roncador quase não grita mais

O grupo de pescadores e barqueiros se preparava para sair pelo rio. Eram um pouco mais do que sete horas e o céu estava encoberto. O objetivo era fazer um trajeto de 75 quilômetros pelo Rio Uruguai, de Iraí até Pinheirinho do Vale. No meio de quase 60 barcos, de variados tamanhos, uma lancha envergava a bandeira argentina em meio as do Rio Grande do Sul, Frederico Westphalen e Brasil. O piloto desta lancha, capaz de levar até 11 pessoas é o argentino Miguel Pazze, que há mais de 20 anos leva turistas do mundo todo para conhecer uma ameaçada maravilha da natureza: o Salto do Yucumã. Para o argentino, o Rio Uruguai já sofre com as alterações que o homem faz ao construir barragens.

– “As barragens que já estão funcionando, como Fóz do Chapecó, elas, este ano, modificaram bastante o regime do rio. Eu acredito que não é uma casualidade. Se o rio se mantém mais alto o Salto do Yucumã vai desaparecer. Vai ter uma mudança importante no funcionamento do rio. Já percebemos isso – adverte Miguel, que ganha a vida levando turístas para dentro do desfiladeiro aquático do Salto do Yucumã, uma das sete maravilhas do Rio Grande do Sul e maior salto longitudinal do mundo.
As constantes elevações do nível do Rio Uruguai por conta da liberação de água pelos empreendimentos hidrelétricos são um problema real e imediato. Especificamente sobre Foz do Chapecó, hoje a usina mais próxima do Salto do Yucumã, a situação é conflituosa. Desde o enchimento do lago ano passado que a empresa e o órgão licenciador, o Ibama, são réus de inquérito aberto pelo Ministério Público Federal. O problema principal é o alagemanto do lago ainda com parcela da vegetação no local do lago e a inexistência de canal lateral para que os peixes possam subir o rio, a exemplo do que ocorre na Usina de Foz do Iguaçu.”


A fala do barqueiro é um retrato da vida real, longe dos gabinetes de Brasília e Porto Alegre que nos discursos em prol da construção de mais barragens no convalecente Rio Uruguai louvam as hidrelétricas e reduzem os impactos ambientais e sociais dos empreendimentos. Hoje, o Rio Uruguai já está próximo do modelo de uma sucessão de lagos. E as barragens afetam tanto o equilíbrio da biodiversidade quanto o regime das águas e a vida de uma grande população de ribeirinhos. Desta população, aproximadamente 5 mil pessoas, moram no entorno do parque Estadual do Turvo, o mais antigo parque gaúcho e porta de entrada para um corredor de biodiversidade que se estende até quase Fóz do Iguaçu, percorrendo as províncias de Corrientes e Missiones na Argentina. Geograficamente, o Rio Uruguai divide uma grande área binacional de preservação de floresta subdecidual de aproximadamente 80 mil hectares, sendo 17 mil hectares no Brasil e o restante na Argentina, no parque provincial de Moconã. Exatamente no centro desta área encontra-se o Salto do Yucumã (Salto del Moconã em espanhol), a maior queda d’água longitudinal do mundo, com 1,8 quilômetros de extensão.

– Estamos muito preocupados com a questão das barragens que já existem e as que estão em projeto para o Rio Uruguai. Estamos discutindo o turismo, mas a nossa principal atração já está sendo afetada – afirmou Gildo Martens, vereador do município de Derrubadas, onde está a sede do Parque Estadual do Turvo.

A próxima ameaça já está diagnosticada. É o caso do Complexo Hidrelétrico de Garabi. Anunciado em 9 de setembro de 2008 pelos presidentes Luís Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner, em Brasília, com previsão de gerar 1,89 MW, o projeto prevê erguer duas usinas no trecho binacional do rio. A ideia é antiga. Em 1972 os dois países fizeram o primeiro tratado. Os estudos foram até 1988. Na década de 90, no entanto, a iniciativa parou por conta da crise econômica e da mobilização dos movimentos sociais contrários ao empreendimento.

O símbolo das ações ambientais contra Garabi era a submersão do Salto do Yucumã e das áreas de preservação ambiental nos dois lados do rio. Os movimentos sociais obtiveram êxito aparente até 2008. Os novos projetos das usinas prometem não inundar o salto, baixando as cotas das barragens, mas ambientalistas dos dois países desconfiam da veracidade dos dados oficiais. Na Argentina, até um plebiscito deverá acontecer para consultar a população sobre a barragem.

No terreiro de chão batido as cadeiras se mesclam a chinelos de borracha em constante arrastar e ajeitar. Os pés são tão inquietos quanto as mão de seus donos. Mão rudes e fortes que quando gesticulam enchem as frases de humor ferino e ênfase. O dançar dos dedos emoldura o trovejar da voz ou o gargalhar da boca. É uma conversa tensa. O cenário é verde e preto. Cachorros guaipecas coçam as pulgas enquanto os homens conversam. O assunto é caro aos cinco homens na casa dos 50 anos: a pesca no Rio Uruguai. Bonés surrados, maços de cigarros e chinelos de borracha acompanham os pescadores da Barra do Turvo, pequena localidade que testemunha o encontro do Rio Turvo com o Rio Uruguai. O dia está quente e úmido. A palavra está com Buda:

– Se isso acontecer a gente está acabado. Acabou os ribeirinhos. Já está cada vez mais difícil pescar. Com as barragens que estão ai, o nível do rio muda uma vez por semana. Com mais uma barragem, acabou.

– “Não pode ser. Assim não vai dar mais para viver por aqui” – intervêm “Paquinha”.

– “Acho que não é isso. Já ouvi falar dessa barragem. Não vai mudar nada aqui. É longe daqui. Não vai afetar” – aponta Chico, nome por que é conhecido Aparício Roque de Andrade, 49 anos.

– Mas já tem menos peixe. Cada vez menos. Antes tinha mais, bem mais. Pintado e Surubi, quase não tem mais – retruca Buda.

– Mas agora tá melhorando. Replantaram nas margens a vegetação e tem tido muito mais comida para os peixes – recorda “Paquinha”.

– “Mas o problema é quando abrem as comportas da represa lá de cima e vem aquele monte de água que dispersa os peixes tudo. Ai não dá para pescar nada, por uns dois dias” – explica Silvio.

O caso exposto pelos pescadores na Barra do Turvo, localidade que situa-se depois do Salto do Yucumã, é compartilhado pelos pescadores de cima do salto. É o caso de Caniel Caxambu, pescador de mais de 20 anos e grande conhecedor do rio.

– Em menos de 12 horas, água que é liberada pelas usinas de lá de cima chegam aqui e inundam o salto do Yucumã. Também desbarrancam o rio, derrubadno árvores e deixando um perigo para navegar por causa dos galhos que ficam boiando. Pescar então, fica muito mais difícil. Os peixes desaparecem – comenta Caxambu, enquanto conduz seu barco de mesmo nome pelo Rio Uruguai.

Não são só os pescadores que estão preocupados. Dispostos a passar para uma cobrança mais efetiva, o prefeito de Derrubadas Almir Josér Bagega encaminhou via Rota do Yucumã um abaixo assinado cobrando explicações sobre problemas que já acontecem hoje em relação a visibilidade do Salto do Yucumã. Bagega alertou que os guardas parque e os moradores Ribeirinhos do Rio Uruguai relatam que em questão de horas o nível do rio sobe, submergindo o Salto do Yucumã.

– “Lançamos um abaixo assinado pedindo explicações sobre o impacto que o Salto do Yucumã vem sofrendo com a construções das barragens. O governo federal diz que não há impacto, mas qualquer um pode ver com seus próprios olhos o impacto que ocorre depois que a barragem de Foz do Chapecó começou a funcionar” – alertou Bagega. O presidente da Rota do Yucumã, Osmar Kuhn também cobra das autoridades federais mais rigor no cumprimento da legislação ambiental.

– O que propomos é decidir que ritmo e o desenvolvimento que queremos tomar para nossa região! Porque as obras de barragens podem destruir a natureza? Os pequenos tem um tratamento e os grande outro – desabafa Khun.

A situação dos novos empreendimentos, o tão falado Complexo de Garabi, já produziu um documento denominado“Relatório Final dos Estudos de Inventário Hidroelétrico da Bacia do Rio Uruguai no Trecho Compartilhado entre Argentina e Brasil” executado pelo Consórcio CNEC/ESIN/PROA para EBISA e ELETROBRÁS. O Estudo de Inventário tem como objetivo a determinação do potencial hidroelétrico e da melhor divisão de quedas, através da identificação do conjunto de aproveitamentos que proporcionem um máximo de energia com o menor custo, associado ao menor impacto ambiental. É este documento que estabelece as cotas dos empeendimentos, tamanho dos lagos, potência instalada e impacto ambiental.

Segundo os cálculos divulgados pelo secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético Altino Ventura Filho em uma audiência pública em Santa Rosa “a reserva que abriga o salto terá parte da área alagada, mas seria apenas uma extensão equivalente à que fica sob as águas em períodos de enchente”. A afirmação do secretário demonstra um total desconhecimento do regime do Rio Uruguai e do próprio Salto do Yucumã. Quando está em enchente, situação que cada vez se repete com mais frequência e fora da sazonalidade habitual, o Salto está submerso. Se a mata na margem ficará submersa o Salto também. Além do mais, a diferença entre a cota da barragem (130 metros do nível do mar) e a cota do Salto do Yucumã é de apenas cinco metros. É muito pouco para uma criação da natureza feita a milhões de anos atrás e que facinam as populações do Brasil e Argentina.

Se os planos governamentais forem levados a cabo, o grande roncador não mais vai ecoar seu barulho para os últimos seis exemplares de onça -pintada que ainda habitam o Parque Estadual do Turvo. E nosso filhos conhecerão o local apenas pela lembrança de fotografias e filmes.

fonte: http://salveosaltodoyucuma.blogspot.com/

Ciclo da Seca: a chuva dá os primeiros sinais no Estado.

Os problemas no Brasil, como sempre, são resolvidos à curto prazo, é "a cultura da não solução". Em tempos de seca, muito se fala em projetos preventivos, daí vem a chuva e muda-se de assunto. Barragens, açudes, liberação de licenças ambientais, pesquisas e novos testes, e o plano deve ser anunciado em:... Fevereiro! Pronto choveu! Ano que vem voltamos para essa discussão! Ano após ano é feito repasse para o agronegócio que já vem se preparando para a crise. A agricultura está se capitalizando e o acréscimo recebido para amenizar os prejuízos da seca acabam servindo como financiamento, sem que os programas de prevenção saiam do papel. Existe otimismo no mercado de vendas de maquinários agrícolas nas feiras no Estado no início deste ano, portanto os agricultores estão capitalizados. Ontem na reunião do Conselhão, no centro administrativo do governo do Estado, autoridades municipais solicitaram apoio para pagar os prejuízos da seca, os 51,9 mil repassados pelo governo do Estado ainda é pouco para alguns. Os prefeitos mais uma vez reivindicam a autonomia municipal, por que somente eles conhecem as peculiaridades de cada comunidade. O promotor de justiça Alexandre Saltz, afirmou que o Estado não tem condições de resolver situações emergenciais por não possuir estratégias preventivas. O governo do RS tem o objetivo de desenvolver políticas permanentes de médio e longo prazo com programas de combate a seca. No momento, as medidas escolhidas pelo Estado são emergenciais. Segundo o secretário de obras públicas, irrigação e desenvolvimento urbano, Luiz Carlos Buzatto “as propostas do Plano Estadual de Irrigação, será lançado no mês de março”... (acredite se quiser). Enquanto isso, 339 municípios do RS decretaram situação de emergência e aguardam apoio do estado.

O tempo continua quente, mas à tarde pode ocorrer pancadas de chuva em Santa Maria
Os períodos de sol favorecerão o aquecimento com máxima que irão oscilar em torno dos 30°C
A frente fria que atua sobre o Estado mantém a instabilidade na maioria das regiões com previsão de pancadas de chuva alternando com períodos de sol. Ainda não se descarta a ocorrência de temporais em áreas isoladas.
Os períodos de sol favorecerão o aquecimento com máxima que irão oscilar em torno dos 30°C. O refresco ao calor intenso que tem predominado nos últimos dias irá ocorrer nos próximos dias. Na região de Santa Maria, o tempo continua quente, mas à tarde também ocorrem pancadas de chuva. A máxima prevista para a tarde é de 31º e a noite deverá fazer 22º.

Fonte: http://www.clicrbs.com.br/especial/rs/dsm/19,18,3658371,O-tempo-continua-quente-mas-a-tarde-pode-ocorrer-pancadas-de-chuva-em-Santa-Maria.html

Municípios gaúchos na expectativa, nova secretária geral do Governo no RS

Na matéria do jornal CORREIO DO POVO, abaixo, a nova Secretária Geral do Governo do Estado, Deputada Miriam Marroni, afirma NÃO TER EXPERIÊNCIA com o executivo (leia-se administração). A nova secretária assume com grande expectativa de todos os prefeitos do RS, na sua maioria de um partido diferente da nova secretária. Ela será responsável pelos projetos de INTERIORIZAÇÃO no RS. Em um contexto de falta de recursos para as muitas obrigações (saúde, educação, urbanização...) que os municípios tem a esperança de que o Estado compareça com mais recursos é muito grande, ainda mais depois da quebra de safra que tivemos com a seca de janeiro. (Charge: palavras.blog.br)

Miriam Marroni assume Secretaria Geral de Governo
Deputada disse que há 86 projetos para serem colocados em prática neste ano
A deputada estadual Miriam Marroni (PT) assumiu na manhã desta terça-feira a Secretaria Geral de Governo. Ela substitui Estilac Xavier, nomeado conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). A liderança de governo na Assembleia Legislativa, que era desempenhada por Miriam, fica com o colega Valdeci Oliveira (PT).

Ao assumir a pasta, Miriam admitiu não ter experiência no Executivo, mas garantiu estar preparada. O governador Tarso Genro lembrou que também assumiu ministérios do governo Lula sem ter experimentos anteriores nas áreas que atuou, mas destacou que os políticos têm a habilidade necessária para lidar com esse tipo de questão. Segundo a deputada, há 86 projetos para colocar em prática em 2012. Um dos mais polêmicos– que será analisado por Miriam – trata da criação do modelo de pedágios que será adotado pelo Estado.

A pelotense comandará a pasta responsável pela gestão estratégica, integração de programas e projetos, interiorizações do governo, coordenação da política de tecnologia de informação e o acompanhamento dos programas do Governo Federal desenvolvidos no Rio Grande do Sul.

A secretária disse ainda não ter condições de responder se o Piratini deve entregar os nomes que constam no relatório concluído pela Comissão Processante que investigou irregularidades no Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer). A oposição na Assembleia Legislativa reivindica a lista com os 17 apontados.

Fonte: http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/?Noticia=390110

ESTIAGEM: uma faca de dois gumes.

Agora é a hora de que mesmo?

De um lado o Governo com sua falta de compensação com perdas na economia e de outro lado o produtor o maior atingido pelas condições climáticas, mas o maior peso da balança ainda vai para as Prefeituras.

Estamos no mês do ano de discutir a seca. Todo janeiro é assim, os jornais ficam sem pauta e “caem pra cima” da estiagem. Todos os anos na estação verão é a mesma pauta, falta de chuva danifica as lavouras e causa prejuízos aos municípios, e causam mesmo, mas é aos municípios.

Enquanto o estado discute a menor verba possível que irá enviar para ajudar, as prefeituras discutem de onde irão tirar uns trocados para os combustíveis das retroescavadeiras e como justificar isso ao tribunal de contas na seqüencia.

Pois bem, vem a chuva, passa janeiro, e não se fala mais nisso. Seria a hora de se preocupar com ações preventivas para a seca que virá no ano seguinte? Não! É hora de gastar o dinheiro que veio do governo.

Quando o Governo vai entender que tem que investir em pesquisa para atuar da melhor forma em ações preventivas? Não basta doar, ano a ano, uma nova retroescavadeira às Prefeituras, a maioria dos municípios não tem nem como manter todo este equipamento.

Quando o Governo vai entender que cada região tem deficiências isoladas e necessidades diferentes?

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Seca na Região Noroeste do RS

Seca na Região Noroeste do RS

A estiagem provocou perdas de bilhões de reais para grandes lavouras gaúchas de soja e milho. Será que ano que vem este cenário vai se repetir? (Foto: Cleber Giordani Tesche)