SOLUÇÕES LOCAIS PARA PROBLEMAS GLOBAIS

Quase todas as cidades brasileiras vivem o grande desafio a sustentabilidade. Lixões gigantescos que são o cenário de degradação ambiental e humana, contaminação do solo, do ar e da água por atividades econômicas com pouca sustentabildade, gestão precária de recursos hídricos, problemas de saneamento e tratamento de afluentes poluídos, desmatamento descontrolado, falta de energia, entre outras situações comuns  que precisam de solução urgente, vão muito além de um problema de gestão do marketing.

(Foto: sierraclub.typepad.com)

Para agravar este contexto a maior parte (90% a 95%) dos impostos arrecadados não permanecem dentro dos municípios que geraram as riqueza e que precisam dar conta do impacto ambienta causado pela geração destas riquezas.

Os municípios e seus munícipes conhecem os problemas de perto, e dão os melhores exemplos, no Brasil e no mundo, de como solucioná-los. Na conferência da ONU, Rio+20, sobre desenvolvimento sustentável, que irá acontecer em junho,  a contribuição dos prefeitos, vereadores, líderes comunitários, pequenos produtores rurais, e pequenos empresários, para a solução de grandes problemas globais de meio ambiente e padrões de consumo é de alta relevância.

A atenção de todos os pesquisadores sobre sustentabilidade e desenvolvimento sustentável se volta para dentro das cidades e para os micro universos que, no caso do Brasil, clamam por mais recursos e mais autonomia.

O comentário do publicitário Nizan Guanaes, abaixo transcrito, confirma a tendência de necessidade de darmos mais poder e recursos para os municípios.

(publicado no Jornal do Comércio)

O debate municipal é global

O novo ciclo de desenvolvimento do Brasil tem tudo a ver com a cidade de São Paulo

por Nizan Guanaes

Este é o século das cidades. Das grandes cidades. E, portanto, a era dos prefeitos. Dos grandes prefeitos. O prefeito de uma metrópole como o Rio de Janeiro é uma personalidade global. É um estadista.

Já, já veremos nascer uma ONU das cidades. E os G-8 e G-20 das cidades terão tanto poder quanto os agrupamentos de países.

Alguns políticos brasileiros já perceberam isso. Se entrasse na política hoje, eu olharia a carreira de Eduardo Paes, o primeiro prefeito global do País. O
homem que colocou o sarrafo da administração municipal lá em cima. Até porque o sarrafo dele é olímpico.

Vejo isso no dia a dia, pois vivo entre Rio e São Paulo. E o que se discute no Rio é o que se discute em Londres, Nova Iorque e Melbourne. O Rio caminha a
passos largos para ser a metrópole do século XXI. As metas de sustentabilidade do Rio são ambiciosas, claras e factíveis.

São Paulo, que é a cidade maior do país, não pode e não deve ficar para trás, discutindo na próxima campanha eleitoral aquela lenga-lenga de sempre. É obvio  que os problemas são os “de sempre”. Só que as soluções mudaram, e novos problemas surgiram.

Qualidade de vida hoje em São Paulo é morar perto de onde você trabalha. Só que para isso os nossos candidatos a prefeito devem procurar ouvir a Marisa
Moreira Salles e o pessoal do Arq.Futuro, e não apenas as pesquisas de opinião, porque o eleitor não pode antecipar necessidades que não sabe que tem.

Porque não dá pra querer comandar São Paulo sem ouvir o Phillipe Starck. Que, aliás, trabalha uma semana por mês na cidade.

Está na hora de termos um plano urbano audacioso e à altura de São Paulo. Algo que traduza e produza a energia e a ambição desta cidade. Um Faria Lima 2.

Que tal chamar o Alexandre Hohagen, do Facebook, o Fabio Coelho, do Google, e usar a capacidade da internet para repensar os serviços públicos e a organização urbana?

A maior empresa americana de pensar fora da caixa, a Ideo, trabalha hoje em São Paulo, seu time é de munícipes do futuro prefeito e vive ajudando as maiores  empresas brasileiras a serem mundiais, pensarem de outra forma: inspiraria o debate municipal.

Não é bom ouvir a Cisco, a HP, a Microsoft e a Apple sobre como melhorar o trânsito? Porque a tecnologia pode tirar muito mais gente do trânsito do que a
velha engenharia de trânsito. Que tal construirmos um tecnoanel em paralelo ao Rodoanel? E se dermos isenção de impostos para as pessoas trabalharem à noite?  Por exemplo, não pagam IPTU. É claro que eu já comecei a falar bobagem. Mas falar bobagem é o primeiro passo para chegar a coisas diferentes e  revolucionárias.

Um dos grandes passos é mudarmos do marketing político para o marketing público. O marketing político pensa o eleitor, o marketing público vai além e pensa o  cidadão. O marketing político faz a campanha, o marketing público ajuda a pensar políticas públicas. Ou seja, o marketing tradicional pensa na venda, o  marketing moderno, na experiência de comprar, no problema, na fidelização.

São Paulo é a cidade mais energética do País. O novo ciclo de desenvolvimento do Brasil tem tudo a ver com a cidade. Seu “cluster” financeiro comanda nossa
integração crescente e lucrativa com os fluxos de capital globais. Seus serviços de alta qualidade atraem gente do Brasil todo e de muitos países para seus
hospitais, seus ativos culturais e muito mais.

Temos que tirar a arte dos museus e colocá-la nas ruas. Revigorar o nosso centro. Revolucionar a educação desta cidade e botá-la pra concorrer com Xangai e  Bangalore.

Enfim, tocar fogo no debate municipal. Para que os mais jovens assistam aos programas eleitorais.

Em outubro São Paulo vai eleger seu líder global: o prefeito de São Paulo, o homem que vai nos representar no planeta em plena era das cidades. Que vai
conversar com Michael Bloomberg e com o prefeito de Londres. Que vai decidir quantas horas da minha vida eu vou passar no trânsito, o síndico deste mega
prédio de 11 milhões de pessoas (um Portugal).

Não há nada de municipal neste debate municipal. Ele é global. É bom os eleitores não esquecerem isso. E os candidatos e seus homens de marketing também.

Autor: Nizan Guanaes
Fonte: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=90284

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