458 anos de #Salvador: Onde a história do #Brasil começa

Parabéns Salvador, 458 anos

A História da colonização e da missigenação brasileira começou a ser contada na região norte. Salvador é uma parte dela e hoje, 29 de março completa 458 anos de emanciapação política/administrativa. Parabéns ao povo de Salvador!

por: Marta Erhardt e Thiago Fernandes

Uma cidade de personagens

Tipos populares sempre marcaram a vida pacata de Salvador. Pessoas excêntricas desfilavam suas singularidades pelas ruas da capital baiana e se tornaram símbolos de uma época. Quando a cidade alta ainda era centro comercial, financeiro e administrativo da capital, o Guarda Pelé se transformou em personagem principal da história da região. Ele controlava o trânsito na Praça Municipal e aproveitava para fazer coreografias entre os carros. Em meio aos apitos e movimentos de braços, surgia um aceno ali, outro acolá. Era a receptividade do soteropolitano, caindo nas graças de mais uma peculiaridade de sua cidade.

O Guarda Pelé não é caso isolado. O famoso Jacaré chamava a atenção dos transeuntes na mesma região, quando subia em um caixote para fazer discursos políticos. E quem já não ouviu falar do repórter do povo? No início do século passado, Cuíca de Santo Amaro cantarolava seus cordéis para relatar os “causos” da sociedade baiana da primeira metade do século. Suas histórias provocavam temor entre os integrantes da alta sociedade. Se estivesse vivo, completaria cem anos em 2007. Ele morreu aos 56 anos, em 1964. Dentre os fatos contados em praça pública, entraram para a história “o crente que passou a mãe para trás” e “a mulher que casou com outra”.

O antropólogo e professor do Departamento de Antropologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Roberto Albergaria, explica o fascínio que estas fguras exerceram ao longo do tempo. “Os tipos populares são aqueles cuja singularidade está no limite entre a loucura e a excentricidade A cidade representava um grande teatro, onde as pessoas viviam suas diferenças publicamente”, explica.

Na medida em que Salvador cresceu e ultrapassou a marca de 1 milhão de habitantes, deixou de ser propícia a estes tipos. “A nova Bahia de massas começa a substituir a velha Bahia da comunidade e as pessoas, como atores sociais, passam a representar um novo papel. Tornam-se mais introspectivas. Assim, os contatos foram se distanciando e a experiência da rua passa a ser a do anonimato”, destaca Albergaria.

Apesar do desaparecimento gradativo dos tipos populares a partir da segunda metade do século XX, uma mulher ainda atraía os olhares dos moradores da Cidade Alta na década de 70. Quem freqüentava a região conta que perambulava por ali uma moça toda vestida de roxo. OS boatos davam conta de que ela teria sido abandonada no altar pelo noivo. Com o trauma, apresentou um quadro de depressão e problemas psicológicos, passando a perambular pelas ruas do centro de véu e grinalda. Alguns anos depois, adotou o roxo e o preto, em sinal de luto.

Hoje, estas figuras ainda podem ser encontradas em cidades do interior e nos bairros periféricos da capital baiana, onde ainda há uma densa vida de rua, de acordo com o antropólogo. “Houve uma mudança na expressão dessa natureza. Hoje o que se tem é uma massa de anônimos onde a singularidade não é mais possível”, afirma.

fonte: http://www3.atarde.com.br/especiais/aniversario_salvador/uma_cidade_de_personagens.htm

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