A polêmica do Lixo Pelotense, por Eduardo Ritter

por Eduardo Ritter*

Conteiner de Pelotas (Foto: Eduardo Ritter).

O novo sistema de coleta de lixo, que está sendo gradativamente implementado no município de Pelotas, está dando o que falar. Desde o início de 2012 foram ampliados o número de containers, com a instalação de centenas de novos equipamentos, apresentando, no máximo, uma distância de 70 a 80 metros entre um container e outro. Os containers servem para a coleta do lixo orgânico. Já o lixo seco é recolhido nas residências nas segundas, quartas e sextas-feiras. Entretanto, por mais que se façam campanhas de conscientização, a população não está se adaptando tão facilmente ao processo e são inúmeros os problemas que estão surgindo e que são percebidos dia a dia nas ruas da área central de Pelotas. E, se o processo pode ser complexo para os moradores, os problemas que estão sendo percebidos são demasiado simples e claros.

O primeiro é o desrespeito a orientação dos containers serem utilizados apenas para lixo orgânico. Nas proximidades da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), por exemplo, onde a redondeza é cercada por bares que vendem latinhas de cerveja e garrafas de litro que são levadas pelos usuários em copos plásticos, todas as manhãs é perceptível: 1) a grande quantidade de lixo na rua e 2) um grande número de lixo seco, como as latinhas e copos plásticos, dentro dos containers. Se já é difícil conscientizar a população sã da cidade, imaginem os bêbados…

Veja o exemplo de Zurique, que é modelo em reciclagem de lixo. Segundo o site Planeta sustentável, na cidade Suiça facilitar o acesso a pontos de coleta seletiva é uma das grandes armas para incentivar a reciclagem. E o governo de Zurique ainda investe em ações de reuso e redução de resíduos porque, lá, o lixo é assunto sério. 70% do aquecimento da cidade é gerado pelo lixo, segundo a jornalista Suzana Camargo que também informou que "esse modelo de sucesso depende de um estreito elo de comprometimento entre governo, indústria e população". Fotos: Suzana Camargo.

Achou o amor no lixo
Como conseqüência, freqüentemente se vê catadores de material reciclável dentro dos containers atirando o que lhes interessa para fora. Além disso, muitas pessoas colocam o lixo misturado em sacolas e, com isso, os catadores abrem as sacolas para pegar o que lhes interessa. Segundo contam outros, os containers, que são grandes, já foi utilizado até por motel por um casal apaixonado sem dinheiro…

Ainda sobre a coleta do lixo orgânico, alguns moradores também reclamam da distância entre um container e outro. Antes era tudo colocado no lixo do prédio ou residência. Entretanto, agora, dependendo do lugar da residência o morador tem que caminhar até 40 metros até o container mais próximo. O que implica numa dificuldade, principalmente para idosos que moram sozinhos, e que complica ainda mais em dias de chuva.

O mesmo vale para o lixo seco. Alguns prédios lacraram as suas lixeiras e orientaram os moradores a colocar o lixo seco ao lado das mesmas. Como é notório, Pelotas é conhecida pela sua população canina nas ruas centrais. Com isso, além dos moradores de rua e dos catadores, os cães também extraviam boa parte desse lixo por ruas e calçadas.
Ou seja, apesar da idéia ser, na teoria, louvável, na prática é muito difícil que ela venha realmente a funcionar. Uma forma simples para resolver o problema seria não lacrar as lixeiras e dar a opção para a população de poder escolher entre as lixeiras prevendo a separação do lixo e os containers. Entretanto, para a maioria da população desinformada o container é, pura e simplesmente, lugar de lixo.

No Brasil a média nacional de reciclagem de lixo é 5%. A reciclagem esté associada a coleta seletiva. Em Buffallo, no EUA, o aumento da frequência de coleta seletiva incrementou o percentual de lixo reciclado da cidade de 10% para 15%. A prefeitura de Buffallo espalhou 70.000 coletores verdes e de duas vezes por mês para duas vezes por semana, segundo o BuffalloNews.com. (Foto: Derek Gee, Buffallo News, 18,jan, 2012)

É comum vermos alguém andando na rua, tomando uma latinha de refrigerante, e, sem pensar, jogar essa latinha dentro de um container. Por mais que se invista em educação, a captação da informação de panfletos, matérias jornalísticas e propagandas não dependem de seus emissores, mas sim, da população. Esse é um dos problemas dos brasileiros em geral, pois eles que se acostumaram com um estado paternalista, ou seja, se o lixo não é recolhido defronte da sua casa, eles não vão andar 40 metros para depositar o lixo num container todos os dias. Esse é um problema de educação, mas que poderia ser amenizado dando alternativas à população. Ou seja, além da educação e orientação, manter as lixeiras tradicionais, com lixo orgânico de um lado e seco de outro, seria mais eficiente e evitaria tantos problemas, nesse caso, para os pelotenses.

*Eduardo Ritter é Professor do curso de jornalismo da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) e doutorando em Comunicação Social da PUCRS.

Este vídeo do YouTube mostra a campanha bem sucedida de alunos universitários para que as latinhas fossem jogadas no lixo certo.

Links relacionados
http://www.buffalonews.com/city/city-hall/article753269.ece
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/lixo/conteudo_467362.shtml
http://www.ecolnews.com.br/gestao_do_lixo_sao_paulo_capital.htm

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2 Respostas para “A polêmica do Lixo Pelotense, por Eduardo Ritter

  1. Senhor Eduardo Ritter, adorei muito a suua reportagem referente aos lixos de nossa cidade. Mas venho propor ao senhor um desafio. Moro na Avenida Fernando Osório, um dos principais acessos de chegada e saída de nossa amada cidade, onde está enfrentando um problema serísssimo a respeito do lixo. Aqui não vemos conteiners coletores de lixos, um problemão para essa Avenida. Já conversamos com o pessoal do sanep e da empresa que fiscaliza esses conteiners e a resposta q obtivemos foi que a prefeitura não vai mais liberar esses lixeiras p os bairros. Certo!!! A Av fernando Osório situa-se num bairro, mas esta virando um caos os lixos jogados e espalhados no decorrer da via. Gostariamos de uma ajuda, talvez para esclarecer esse impace.
    desde já agradecemos o seu apoio.
    Moradores da Avenida Fernando Osório.

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