Arquivo do dia: março 2, 2012

#Biodiversidade ameaçada no parque do Turvo

Image

O Parque Estadual do Turvo foi criado em 1947, sendo o primeiro parque ecológico do Estado, com uma área de 17.491 hectares. Hoje ele é o último reduto da onça-pintada no Estado do Rio Grande do Sul, abrigando também outros animais ameaçados de extinção como o puma, a anta e o cateto. É no parque do Turvo, no rio Uruguai, que está localizado a maior queda longitudinal do mundo, o Salto do Yucumã, com 1.800 metros de extensão. Mas não é com a beleza encantadora da natureza que queremos chamar a atenção para este post, é com o descaso e a falta de investimentos na preservação local. Os ecossistemas do Rio Uruguai encontram-se em um processo acelerado de fragmentação pelo impacto dos empreendimentos hidrelétricos. A bacia do rio Uruguai é um dos mais importantes corredores da biodiversidade do Cone Sul. A bacia do Rio Uruguai vem se tornando um território de diversos conflitos sócio ambientais, onde os interesses econômicos se defrontam com a diversidade biológica da região. Apesar destes conflitos o setor elétrico pretende levar adiante os planos de reaproveitamento da bacia. O tema geração de energia e seus impactos está de frente a um obstáculo: a informação. Pouco se sabe sobre os efeitos que as barragens irão causar a natureza e o clico da vida do rio.

O Grande Roncador quase não grita mais

O grupo de pescadores e barqueiros se preparava para sair pelo rio. Eram um pouco mais do que sete horas e o céu estava encoberto. O objetivo era fazer um trajeto de 75 quilômetros pelo Rio Uruguai, de Iraí até Pinheirinho do Vale. No meio de quase 60 barcos, de variados tamanhos, uma lancha envergava a bandeira argentina em meio as do Rio Grande do Sul, Frederico Westphalen e Brasil. O piloto desta lancha, capaz de levar até 11 pessoas é o argentino Miguel Pazze, que há mais de 20 anos leva turistas do mundo todo para conhecer uma ameaçada maravilha da natureza: o Salto do Yucumã. Para o argentino, o Rio Uruguai já sofre com as alterações que o homem faz ao construir barragens.

– “As barragens que já estão funcionando, como Fóz do Chapecó, elas, este ano, modificaram bastante o regime do rio. Eu acredito que não é uma casualidade. Se o rio se mantém mais alto o Salto do Yucumã vai desaparecer. Vai ter uma mudança importante no funcionamento do rio. Já percebemos isso – adverte Miguel, que ganha a vida levando turístas para dentro do desfiladeiro aquático do Salto do Yucumã, uma das sete maravilhas do Rio Grande do Sul e maior salto longitudinal do mundo.
As constantes elevações do nível do Rio Uruguai por conta da liberação de água pelos empreendimentos hidrelétricos são um problema real e imediato. Especificamente sobre Foz do Chapecó, hoje a usina mais próxima do Salto do Yucumã, a situação é conflituosa. Desde o enchimento do lago ano passado que a empresa e o órgão licenciador, o Ibama, são réus de inquérito aberto pelo Ministério Público Federal. O problema principal é o alagemanto do lago ainda com parcela da vegetação no local do lago e a inexistência de canal lateral para que os peixes possam subir o rio, a exemplo do que ocorre na Usina de Foz do Iguaçu.”


A fala do barqueiro é um retrato da vida real, longe dos gabinetes de Brasília e Porto Alegre que nos discursos em prol da construção de mais barragens no convalecente Rio Uruguai louvam as hidrelétricas e reduzem os impactos ambientais e sociais dos empreendimentos. Hoje, o Rio Uruguai já está próximo do modelo de uma sucessão de lagos. E as barragens afetam tanto o equilíbrio da biodiversidade quanto o regime das águas e a vida de uma grande população de ribeirinhos. Desta população, aproximadamente 5 mil pessoas, moram no entorno do parque Estadual do Turvo, o mais antigo parque gaúcho e porta de entrada para um corredor de biodiversidade que se estende até quase Fóz do Iguaçu, percorrendo as províncias de Corrientes e Missiones na Argentina. Geograficamente, o Rio Uruguai divide uma grande área binacional de preservação de floresta subdecidual de aproximadamente 80 mil hectares, sendo 17 mil hectares no Brasil e o restante na Argentina, no parque provincial de Moconã. Exatamente no centro desta área encontra-se o Salto do Yucumã (Salto del Moconã em espanhol), a maior queda d’água longitudinal do mundo, com 1,8 quilômetros de extensão.

– Estamos muito preocupados com a questão das barragens que já existem e as que estão em projeto para o Rio Uruguai. Estamos discutindo o turismo, mas a nossa principal atração já está sendo afetada – afirmou Gildo Martens, vereador do município de Derrubadas, onde está a sede do Parque Estadual do Turvo.

A próxima ameaça já está diagnosticada. É o caso do Complexo Hidrelétrico de Garabi. Anunciado em 9 de setembro de 2008 pelos presidentes Luís Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner, em Brasília, com previsão de gerar 1,89 MW, o projeto prevê erguer duas usinas no trecho binacional do rio. A ideia é antiga. Em 1972 os dois países fizeram o primeiro tratado. Os estudos foram até 1988. Na década de 90, no entanto, a iniciativa parou por conta da crise econômica e da mobilização dos movimentos sociais contrários ao empreendimento.

O símbolo das ações ambientais contra Garabi era a submersão do Salto do Yucumã e das áreas de preservação ambiental nos dois lados do rio. Os movimentos sociais obtiveram êxito aparente até 2008. Os novos projetos das usinas prometem não inundar o salto, baixando as cotas das barragens, mas ambientalistas dos dois países desconfiam da veracidade dos dados oficiais. Na Argentina, até um plebiscito deverá acontecer para consultar a população sobre a barragem.

No terreiro de chão batido as cadeiras se mesclam a chinelos de borracha em constante arrastar e ajeitar. Os pés são tão inquietos quanto as mão de seus donos. Mão rudes e fortes que quando gesticulam enchem as frases de humor ferino e ênfase. O dançar dos dedos emoldura o trovejar da voz ou o gargalhar da boca. É uma conversa tensa. O cenário é verde e preto. Cachorros guaipecas coçam as pulgas enquanto os homens conversam. O assunto é caro aos cinco homens na casa dos 50 anos: a pesca no Rio Uruguai. Bonés surrados, maços de cigarros e chinelos de borracha acompanham os pescadores da Barra do Turvo, pequena localidade que testemunha o encontro do Rio Turvo com o Rio Uruguai. O dia está quente e úmido. A palavra está com Buda:

– Se isso acontecer a gente está acabado. Acabou os ribeirinhos. Já está cada vez mais difícil pescar. Com as barragens que estão ai, o nível do rio muda uma vez por semana. Com mais uma barragem, acabou.

– “Não pode ser. Assim não vai dar mais para viver por aqui” – intervêm “Paquinha”.

– “Acho que não é isso. Já ouvi falar dessa barragem. Não vai mudar nada aqui. É longe daqui. Não vai afetar” – aponta Chico, nome por que é conhecido Aparício Roque de Andrade, 49 anos.

– Mas já tem menos peixe. Cada vez menos. Antes tinha mais, bem mais. Pintado e Surubi, quase não tem mais – retruca Buda.

– Mas agora tá melhorando. Replantaram nas margens a vegetação e tem tido muito mais comida para os peixes – recorda “Paquinha”.

– “Mas o problema é quando abrem as comportas da represa lá de cima e vem aquele monte de água que dispersa os peixes tudo. Ai não dá para pescar nada, por uns dois dias” – explica Silvio.

O caso exposto pelos pescadores na Barra do Turvo, localidade que situa-se depois do Salto do Yucumã, é compartilhado pelos pescadores de cima do salto. É o caso de Caniel Caxambu, pescador de mais de 20 anos e grande conhecedor do rio.

– Em menos de 12 horas, água que é liberada pelas usinas de lá de cima chegam aqui e inundam o salto do Yucumã. Também desbarrancam o rio, derrubadno árvores e deixando um perigo para navegar por causa dos galhos que ficam boiando. Pescar então, fica muito mais difícil. Os peixes desaparecem – comenta Caxambu, enquanto conduz seu barco de mesmo nome pelo Rio Uruguai.

Não são só os pescadores que estão preocupados. Dispostos a passar para uma cobrança mais efetiva, o prefeito de Derrubadas Almir Josér Bagega encaminhou via Rota do Yucumã um abaixo assinado cobrando explicações sobre problemas que já acontecem hoje em relação a visibilidade do Salto do Yucumã. Bagega alertou que os guardas parque e os moradores Ribeirinhos do Rio Uruguai relatam que em questão de horas o nível do rio sobe, submergindo o Salto do Yucumã.

– “Lançamos um abaixo assinado pedindo explicações sobre o impacto que o Salto do Yucumã vem sofrendo com a construções das barragens. O governo federal diz que não há impacto, mas qualquer um pode ver com seus próprios olhos o impacto que ocorre depois que a barragem de Foz do Chapecó começou a funcionar” – alertou Bagega. O presidente da Rota do Yucumã, Osmar Kuhn também cobra das autoridades federais mais rigor no cumprimento da legislação ambiental.

– O que propomos é decidir que ritmo e o desenvolvimento que queremos tomar para nossa região! Porque as obras de barragens podem destruir a natureza? Os pequenos tem um tratamento e os grande outro – desabafa Khun.

A situação dos novos empreendimentos, o tão falado Complexo de Garabi, já produziu um documento denominado“Relatório Final dos Estudos de Inventário Hidroelétrico da Bacia do Rio Uruguai no Trecho Compartilhado entre Argentina e Brasil” executado pelo Consórcio CNEC/ESIN/PROA para EBISA e ELETROBRÁS. O Estudo de Inventário tem como objetivo a determinação do potencial hidroelétrico e da melhor divisão de quedas, através da identificação do conjunto de aproveitamentos que proporcionem um máximo de energia com o menor custo, associado ao menor impacto ambiental. É este documento que estabelece as cotas dos empeendimentos, tamanho dos lagos, potência instalada e impacto ambiental.

Segundo os cálculos divulgados pelo secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético Altino Ventura Filho em uma audiência pública em Santa Rosa “a reserva que abriga o salto terá parte da área alagada, mas seria apenas uma extensão equivalente à que fica sob as águas em períodos de enchente”. A afirmação do secretário demonstra um total desconhecimento do regime do Rio Uruguai e do próprio Salto do Yucumã. Quando está em enchente, situação que cada vez se repete com mais frequência e fora da sazonalidade habitual, o Salto está submerso. Se a mata na margem ficará submersa o Salto também. Além do mais, a diferença entre a cota da barragem (130 metros do nível do mar) e a cota do Salto do Yucumã é de apenas cinco metros. É muito pouco para uma criação da natureza feita a milhões de anos atrás e que facinam as populações do Brasil e Argentina.

Se os planos governamentais forem levados a cabo, o grande roncador não mais vai ecoar seu barulho para os últimos seis exemplares de onça -pintada que ainda habitam o Parque Estadual do Turvo. E nosso filhos conhecerão o local apenas pela lembrança de fotografias e filmes.

fonte: http://salveosaltodoyucuma.blogspot.com/

Rio Grande do Sul é o terceiro melhor desempenho em saúde no País

Image

A conquista é dos municípios - As conquistas no atendimento à saúde no estado se deve à aqueles que investem mais que o percentual conferido a eles, são os municípios. O Estado deveria investir 12% do orçamento anual em saúde, e no entanto, vem investindo cerca de 6,7% deste percentual, enquanto os municípios investem o restante da soma completando os 27% mínimo de investimento exigidos por lei. Emenda 29: O não cumprimento da lei pelo Estado obriga os municípios a investir cada vez mais de seu orçamento em saúde Aprovada pelo Congresso Nacional a Emenda 29 completa, neste mês de março, 11 anos e meio de tramitação, e no entanto, não vem sendo cumprida pelos Estados, este fato pressiona os municípios a investir cada vez mais de seu orçamento em saúde. Atualmente, 20 Estados brasileiros não aplicam o percentual em saúde previsto pela emenda 29, o Rio Grande do Sul está entre eles, onde, apenas 6,7% do orçamento anual é investido em saúde, conforme afirmou o secretário estadual de saúde Ciro Simon. Dessa forma, segundo o TCE (Tribunal de Contas do Estado) os municípios estão investindo em média, 22% do seu orçamento neste setor. A regulamentação e o cumprimento da emenda 29, irá propiciar uma melhora à atenção a saúde dos municípios gaúchos, além da possibilidade de redução dos percentuais aplicados pelos municípios neste setor. O que é a Emenda 29? É uma mudança na Constituição que determina que índices do orçamento devem ser aplicados pelos entes federados em saúde. Como é o financiamento proposto na Emenda 29? A emenda constitucional prevê um investimento de 12% da receita bruta corrente do Estado; 15% da receita bruta corrente dos municípios o valor empenhado no ano anterior, corrigido pela variação nominal do Produto Interno Bruto do governo Federal. Esta lei aprovada no ano 2000, deveria estar vigorando integralmente desde o ano de 2004. Este período de 4 anos, desde a aprovação, foi dado para que fossem feitas as adaptações, gradativamente. Qual é a polêmica em torno da Emenda 29? A mudança da fórmula de definição do valor da contribuição do governo do Estado para a saúde, é o que está em debate. A emenda 29 é lei, a contestação é sobre a sua aplicação que não vem sendo cumprida.

Estado tem o 3º melhor desempenho do SUS no País

O Rio Grande do Sul foi classificado como o Estado de terceiro melhor desempenho do Sistema Único de Saúde (SUS) no País. A avaliação foi divulgada nessa quinta-feira (1º) pelo Ministério da Saúde. O RS obteve a nota 5,9 no Índice de Desempenho do SUS (IDSUS), que avalia a infraestrutura do atendimento básico, especializado, ambulatorial e hospitalar de urgência e emergência da rede pública. A nota do Estado é maior que a média brasileira, de 5,47.
A avaliação englobou os anos de 2008 até 2010. O secretário estadual da Saúde, Ciro Simoni, destacou que a expectativa é de que o Rio Grande do Sul receba nota superior na próxima edição do IDSUS, realizado a cada três anos. “O Estado pode mais e estamos trabalhando para isso”, afirmou.
Entre alguns dos avanços do RS na área da saúde está o aumento das bases do Samu (de 85 para 151) e a implementação da Política de Incentivo Estadual à Qualificação da Atenção Básica, que ampliou em 166% o valor repassado aos municípios para investimento no setor (de R$ 15 milhões pagos em 2010 para R$ 40 milhões).
O índice avalia com pontuação de 0 a 10 municípios, regiões, estados e ao País com base em informações de acesso, que mostram como está a oferta de ações e serviços de saúde, e de efetividade. Isto mede o desempenho do sistema, ou seja, o grau com que os serviços e ações de saúde estão atingindo os resultados esperados.

fonte: Secretaria de Saúde do Estado do Rio Grande do Sul

Link da fonte: http://www.saude.rs.gov.br/wsa/portal/index.jsp?menu=noticias&cod=27742

Eleições 2012 ON LINE

Image

As redes sociais são hoje um espaço de todos, a democratização das novas tecnologias está expandindo a participação das pessoas na política e aproximando os políticos de seus eleitores. O acesso à internet não é mais uma prerrogativa da elite. Todas as classes sociais estão na rede, opinando, participando, criticando, é o espaço mais próximo dos cidadãos com seus governantes. Muitos políticos, hoje, já interagem com seus eleitores pelo twitter ou pelo facebook. Com as eleições municipais se aproximando, mais e mais candidatos estão reconhecendo às redes como ferramenta para aumentar sua popularidade. Pois bem, a interlocução através das redes sociais já é um caminho sem volta, uma “mania”, seria a ascensão de uma nova política? Uma política mais interativa? Uma política mais social? As redes sociais vieram para oferecer a possibilidade de um debate mais aberto e plural. A comunicação “nem tão interpessoal” é uma tendência em expansão, ganha àquele que interagir com ela.

2012: o fim da campanha offline

Começou mais um ano eleitoral.
2012 será um ano marcante para a história político-eleitoral brasileira. Viveremos as primeiras eleições após a democratização, de fato, do acesso à internet e a consolidação das redes sociais junto a todas as parcelas da sociedade.
É fato que em algumas cidades bem próximas a Campina Grande o efeito das mídias sociais e móveis ainda será limitado ao baixo grau de interesse e à impossibilidade da população para delas fazer bom uso, principalmente pela falta de conhecimento, de educação e de programas de inclusão digital.
Mas aqui, na Rainha da Borborema, as redes sociais deverão se transformar em um capítulo à parte da eleição, ou melhor, deverão se transformar em uma eleição à parte e com grandes chances de influir decisivamente na campanha do mundo real.
Quero crer que todos os prováveis candidatos a cargos majoritários já estejam plenamente conscientes disso, preparando suas estratégias e, principalmente, seus estrategistas e seus pelotões de soldados virtuais para a série de batalhas que ocorrerá na internet. E, lembro sempre, nem sempre aquele marqueteiro super criativo que lhe garantiu a vitória estrondosa ainda no primeiro turno sequer consegue perceber como se dá a dinâmica das redes sociais. Acha que ainda não vale a pena investir nesse campo… Quem aposta?
Obama: twiteiro sem nunca ter usado o twitter
O maior exemplo de rasteira dada pelas redes sociais foi a que sofreram os opositores de Barack Obama nos EUA. Não acreditaram na força das novas mídias e foram atropelados por um candidato que tinha como principal meio de comunicação direta com o eleitor o twitter e meses depois de eleito confessou jamais ter usado, pessoalmente, a ferramenta.
Se nas eleições passadas as metas eram colocar milhares nas ruas durante as passeatas, bater o recorde de pessoas em um comício ou conseguir quilômetros e quilômetros de carros e motos nas carreatas, agora os candidatos deverão buscar emplacar suas hashtags nos trending topics, viralizar seu vídeo do youtube para conseguir mais acessos que os concorrentes e gerar buzz permanente no facebook, na forma de compartilhamentos e “curtimentos”, seja com conteúdo “oficial”, seja com material produzido (ou que pareça ser…) pelos próprios internautas.
Não há ainda dados seguros que atestem que a quantidade de eleitores “online” será capaz de decidir diretamente a vitória nas urnas, mas a correta utilização das “batalhas virtuais” da campanha, principalmente com a repercussão nos meios tradicionais, será com absoluta certeza o fiel da balança na parte, digamos, regulamentar das eleições (a outra parte é aquela das madrugadas pré-eleições e do trabalho de cooptação de eleitores mediante pagamento, onde nem a mídia tradicional e nem, muito menos, a Justiça Eleitoral têm qualquer influência).
Será preciso muito cuidado. O eleitor online é, em sua maioria, bem diferente do tradicional componente de claque. Se alguns serão remunerados e se dedicarão integralmente ao embate virtual, outros – a maioria – precisarão ser conquistados a cada dia e só se empenharão de verdade na defesa e multiplicação dos programas de seus candidatos se perceberem que são tratados por esses candidatos como acham que merecem. O candidato deve estar sempre atento e acessível, responder a TODAS as solicitações de interação nas redes sociais e contribuir para as estratégias da campanha virtual, seja adaptando sua agenda de campanha com a inclusão de ferramentas de compartilhamento nos meios sociais, seja com a realização de eventos completamente direcionados para estas mídias.
Candidato bom será candidato online e full time.
O eleitor vai querer saber onde está o candidato a cada momento, pelo Foursquare, vai querer ver fotos de todas as suas atividades (inclusive as privativas, como reuniões estratégicas e encontros pessoais) no Flickr, vai querer acompanhar o diário atualizado da campanha no blog do candidato, vai querer ver vários vídeos da campanha por dia no Youtube e, sobretudo, vai querer que tudo isso lhe seja disponibilizado em tempo real nas timelines do twitter e facebook.
Pela primeira vez os candidatos terão à sua disposição uma importantíssima ferramenta de feedback para saber se esta ou aquela liderança atrai ou afasta eleitores, como as pessoas reagem às suas propostas de governo ou quais os assuntos que mais ajudam ou atrapalham sua penetração junto a determinadas parcelas do eleitorado. Aliás, a palavra de ordem dessa campanha virtual será SEGMENTAÇÃO, que, com as ferramentas apropriadas, possibilitará atingir cada target de maneira efetiva e segura, sem ruídos e sem desvios de foco e, principalmente, acompanhar minuto a minuto o desempenho de cada tema ou ideia junto ao público.
Posso afirmar com absoluta certeza que as redes sociais serão a segunda mais importante mídia dessa campanha, atrás apenas das inserções de TV e à frente do próprio horário eleitoral gratuito, que este ano será muito mais visto pela internet, sob demanda, do que em sua exibição tradicional. Eventos de rua precisarão passar por um processo de reformulação para que possam ecoar com rapidez e força nos perfis dos participantes (teremos comícios e passeatas com WiFi?), imagens marcantes precisarão ser minuciosamente previstas para que sejam viralizadas rapidamente, “memes” nascerão e poderão transformar-se em verdadeiros fenômenos, então será preciso muito cuidado para que eles trabalhem a favor do candidato e, sempre que possível, contra o oponente.
Embora já possa ser considerada uma mídia de massa, a internet precisará ser vista e tratada a partir de seus inúmeros nichos e trabalhada com estratégia capilarizada e estrutura multinível. Trabalho de formiguinha mesmo, ativo, passivo e interativo. E a parte mais importante de todas será a monitoração, para conseguir detectar desde o início as potenciais ameaças ou trunfos. Qualquer ato ou palavra impensada poderá dar início a um turbilhão de críticas capaz de destruir todo o trabalho de construção da marca e da imagem do candidato ou de suas propostas.
E para quem pensa em colocar aquele “sobrinho, conhecido ou assessor que mexe com internet” para cuidar das estratégias de mídias sociais, pode parar e pensar melhor, pois corre o risco, com esse descuido, de deixar escapar a vitória. Internet é Meio + Mensagem. É preciso dominar os dois. Adaptações devem ser feitas com muito cuidado e nem toda boa ideia é recebida como planejado. Algumas se transformam em verdadeiros fiascos e até contribuem para a oposição. É imprescindível ser rápido, tanto para identificar oportunidades de avanço quanto para reconhecer necessidades de recuo e mudança de rumo.
O bom humor deve estar presente, mas com responsabilidade e sem exageros. A crítica deve ser muito bem fundamentada e qualquer problema apontado deve sempre estar acompanhado de uma sugestão de solução.
O mais importante de tudo é saber com quem se estará lidando e qual a linguagem correta a ser utilizada. Os programas de TV não poderão simplesmente serem “postados”. Terão que ser adaptados, não apenas no conteúdo, mas, também, na linguagem, com som mais limpo (música mais baixa), imagens mais próximas e planos mais longos, que funcionam melhor nas telas menores. Novas linguagens também deverão ser buscadas, como os vlogs, as webséries, os curtas, os documentários e os pequenos comerciais criativos.
Aliás, CRIATIVIDADE será o diferencial dessa nova campanha. Uma criatividade diferente, online, instantânea e antenada com o que ocorre aqui e no mundo todo.

E que vença o melhor, ou melhor, o mais CONECTADO!

texto de: Emerson Saraiva

fonte: http://www.emersonsaraiva.com.br/2012/01/2012-o-fim-da-campanha-offline.html